CRISTIANISMO

 

A mais nova das Grandes Escolas Iniciáticas de Mistérios 

 

A educação moderna visa a utilidade do indivíduo ao corpo social ao qual pertence, a dar-lhe meios de ganhar um salário (geralmente insuficiente para suas reais necessidades), com o objetivo de livrar o Estado de um marginal ou criminoso. Não se leva em conta a felicidade do ser humano.

 

No Sistema que exporemos aqui, ao contrário, O PRIMEIRO OBJETIVO é a felicidade do homem. Sem isto sua vida não tem sentido. Esta foi sempre a meta da Educação Antiga. Portanto, estamos retornando a um Sistema Educacional Antigo, vigente em todas as culturas anteriores à Era Cristã.

 

Esse Sistema era elitista, portanto somente os Aristocratas tinham acesso a ele. Fazia-se necessário torná-lo acessível a todos que desejassem se educar, o que não foi cogitado por NENHUMA CULTURA DA ANTIGUIDADE. No entanto, através das Sociedades Iniciáticas, seja na Mesopotâmia, seja na Grécia, no Egito ou em Roma, esse Conhecimento foi se alargando cada vez mais no tocante ao número de pessoas que dele se beneficiavam. 

 

Nós pretendemos torná-lo um patrimônio de toda a Humanidade. E assim o faremos.

Não demorou muito para que o deus EA fosse escrito IA. Uma cultura que pertencia ao Império Caldeu, a aramaica, adaptou essa Árvore, combinando o nome IA deus criador do homem, com o de sua deusa nacional, HAWAH, que para os arameus era a doadora da vida e do amor aos homens. Como ficou, na Árvore aramaica o deus IA combinado com a deusa HAWAH?  Isto mesmo: IAHAWAH, que depois deu IAHWEH, Deus nacional dos israelitas. Mas o povo de Israel também fez sua adaptação, e na Grande Assembléia da Babilônia convocada por Esdras, por volta de 450 a.C., OS JAVISTAS, SEGUINDO A TRADIÇÃO MOSAICA, COLOCARAM  IAHWEH COMO A ÀRVORE DA VIDA COMPLETA e os nomes das Sefiras substituíram os deuses e passaram a ser os atributos de Javeh.  A partir de Moisés o povo judeu adotou definitivamente Javeh como seu Deus nacional, abandonando EL.

 

Chega a Idade Média e a Renascença. Alguns cristãos heterodoxos tornam-se merecedores, aos olhos judeus, de participar desse segredo. A Árvore é revelada. Fazem-se então novas adaptações : a primeira é recolocar o SER SUPREMO na Sua posição Tradicional.  Para isto, os judeus haviam recorrido aos tempos em que IAHAWAH, fusão do masculino com o feminino,  apresentava-se como um ANDRÓGINO OU HERMAFRODITA UNIVERSAL. Acima da Árvore, surge, então, um componente novo, um binômio: O ENSOPH, OU AYIN-SOPH, representando JAVEH  e  sua consorte. Concepções posteriores dos alquimistas e rosa+cruzes do Renascimento, retornam ao passado para repor a Tríade Divina em seu lugar.  Essa adaptação vai facilitar para o cristão a compreensão da Árvore, mas  NÃO FAZ NENHUM SENTIDO em um contexto judaico, no qual JAVEH é ÚNICO. De qualquer modo, aparecerão as Árvores com a Família Divina Triádica, assimilada pelos cabalistas cristãos como a Santíssima Trindade:  Ayin – Soph – Aur (Aôr). COM A ADAPTAÇÃO  CHEGAMOS À NOSSA  VISÃO DE “CABALA CRISTÔ, DIFERENTE DA  RENASCENTISTA “CABALA PARA CRISTÃOS”.

 

Importante é notar que  as linhas diagonais, horizontais e verticais receberão as letras do alfabeto hebraico, obscurecendo, ou alargando (conforme a compreensão do iniciado) o sentido original de FRUTOS DA ÁRVORE DA VIDA. Então, o judeu irá manter esse segredo. Surgirá a MEDITAÇÃO CABALÍSTICA -  na qual o praticante poderá haurir esses “frutos” -  protegida, porém, por um mistério (os kerubim) que obriga aos juramentos de silêncio.

Na Bíblia judaica, repositório das tradições mesopotâmicas, principalmente caldaicas, a serpente desempenha papel de “inimiga do sonho de vida eterna” acalentado pelos homens. Expulsos do Éden, o casal original fica privado de colher os frutos da Árvore da Vida, porquanto Querubins com espadas flamejantes lhes barram o caminho.

 

Então,  a par da genealogia dos deuses nacionais, chegamos à conclusão de que a árvore reserva, para seus sacerdotes, frutos de vida “eterna”.  Foi isto que as figuras colocadas próximas dela colhiam, tal como os antigos celtas, ou druidas, colhiam o “visco” do carvalho mágico com a foice de ouro. Assim, só nos resta, agora, identificar na Árvore Judaica, que é a herdeira natural, na sequência temporal, da Árvore Sagrada, ONDE estão esses frutos da imortalidade.

 

Facilmente perceberemos que os galhos da Árvore Sagrada sumeriana e acádica (ou caldaica) foram substituídos por “caminhos” que ligam as Sefiras, e nesses caminhos foram colocadas as LETRAS DO ALFABETO  HEBRAICO.  Não resta dúvida, portanto, que os frutos da árvore, na nova concepção do misticismo judaico, são as letras hebraicas.

 

Por fim, resta-nos decodificar  nessas letras  os tão almejados  “frutos”.

 

as letras sagradas, em uma concepção que NÃO INCLUI as Sefiras, mas apenas os CAMINHOS, que passam a ser em número de 22 (curiosamente, o mesmo número das Cartas do Tarot):

Projeto Karibu - Aula 4

Marlanfe Tavares de Oliveira, 2014.

 

O Ser Humano possui em embrião, desde que nasce, o potencial para desenvolver quatro capacidades exclusivas da espécie humana: a Inteligência, que discerne; a Vontade, que move; a Memória, que registra; e a Sensibilidade, que o dota de uma incrível capacidade de PERCEPÇÃO.

 

As Instituições modernas NÃO se preocupam em desenvolver essas potencialidades. Hipertrofiam a memória, sobrecarregando-a com informações que visam à utilidade do ser humano no organismo social ao qual pertence, somente. Subutiliza a Inteligência, pois se o indivíduo for devidamente educado para usá-la tornar-se-á um problema para o Sistema de Governo vigente, qualquer que seja ele. O homem cuja inteligência é desenvolvida NÃO é bem visto por NENHUMA Instituição moderna. Os governos querem seres obedientes e úteis, nada mais.

Descura da Vontade, o maior bem da nossa espécie, não oferecendo nada que motive o indivíduo a QUERER a fim de atingir o PODER. Finalmente, não faz o menor caso da Sensibilidade. Esta, que começa com os órgãos dos sentidos, é deixada a si mesma, mormente no que se refere aos sentidos ocultos ou capacidades paranormais.

 

Nós poderíamos desenvolver tais aptidões do ser humano por meio de QUALQUER DOS SISTEMAS EDUCATIVOS DA ANTIGUIDADE, porquanto TODOS eles levavam ao pleno desenvolvimento das quatro capacidades superiores do homem: O Tarot Iniciático, A Escola dos Quatro Elementos Primordiais, A Alquimia. A Escola dos Magos Caldeus.

 

No entanto, entre todos os Sistemas Iniciáticos conhecidos, o Sistema dos Magos Caldeus me parece o melhor. Partimos do pressuposto que o ser humano é uma esfinge, cuja figura já  é nossa conhecida: O KARIBU.

Essa figura tem origem histórica e registrada graficamente na Suméria, passando para os assírios e caldeus.  Contudo, TODAS as civilizações antigas conheceram a ESFINGE. A tradição atlante-lemuriana  definiu algo muito importante quando decidiu figurar a sua esfinge com cabeça humana e corpo animal. Na Acádia, Caldéia, Assíria, Pérsia, Palestina e em outros locais de iniciação, a esfinge terá SEMPRE uma cabeça humana em um corpo animal.

Em todas estas manifestações, sempre combinando a cabeça de homem com o corpo de leão ou touro, asas de águia, serpente e outros animais desconhecidos, essa figura monstruosa encerra, ainda hoje, um significado só conhecido dos iniciados nos mistérios da tradição.

 

PORQUE, SIMPLESMENTE, COMO SE MOSTRA NESSE DESENHO, O DESAFIO DA ESFINGE É QUE TODAS AS QUALIDADES ANIMAIS  SEJAM ACRESCENTADAS - NO ADEPTO – À SUA  IMAGINAÇÃO CRIADORA E À SUA  HUMANA CAPACIDADE DE  SÍNTESE E DE ORDENAÇÃO, REPRESENTADAS PELA CABEÇA HUMANA.

 

Afirmamos que NÃO SE PODE REPRESENTAR A  CABEÇA  DA ESFINGE  POR OUTRA FIGURA  QUE  NÃO SEJA  A CABEÇA  HUMANA – sob pena de se interpretar  o símbolo místico-esotérico como diabólico ou satânico.  Este friso de uma catedral medieval  ilustra  muito bem o que  queremos dizer :

NELE, O CRISTO EM MAJESTADE SE FAZ CERCAR PELOS QUATRO ANIMAIS QUE CIRCUNDAM O TRONO DE DEUS, o KARIBU.  É ÓBVIA A ALUSÃO DE QUE O HOMEM  REGENERADO, RESSUSCITADO, REDIMIDO, OU QUAL SEJA A NOMENCLATURA QUE SE DÊ AO CRISTOÂNTROPÓN, ELE  TERÁ, NECESSARIAMENTE, DE SER O CENTRO, O REI E A CABEÇA DA CRIAÇÃO.

Vamos provar o que dissemos. Há uma obra pouco conhecida pelos Cristãos que compara os Sacramentos com os Mistérios. Foi escrita por volta de 370 depois de Cristo pelo Bispo Ambrósio, de Milão. O texto faz referência aos Mistérios Pagãos e os compara com os Mistérios Cristãos, chamados de “Sacramentos”. Para Ambrósio, são a mesma coisa, com a diferença que os pagãos uniam-se, nos seus cerimoniais de Mistérios, a divindades imaginárias, enquanto os Cristãos unem-se a Jesus Cristo, ser divino, histórico e existente na Palestina no governo de Tibério e de Augusto.

 

Na continuação da leitura do primeiro capítulo : “ Foi o que vos indicamos ao celebrar O MISTÉRIO DA ABERTURA. (...) Foi este o MISTÉRIO QUE O CRISTO CELEBROU NO EVANGELHO conforme a leitura da cura do surdo-mudo. (...) tinha a intenção de ABRIR-LHE a boca. (...) Após isso, ABRIRAM para ti o Santo dos Santos; entraste para o Santuário da Regeneração”. E no capítulo 3, no segundo parágrafo,  dado logo na página abaixo, o Hierofante Cristão explica que O MISTÉRIO é o mesmo desde O PRINCÍPIO...!

 

Portanto, não se importando se é celebrado por um Hierofante pagão, ou por um Cristão, o sentido é o mesmo: É O MISTÉRIO DA ABERTURA . É o primeiro passo dado pelo myste cristão no caminho da Iniciação Cristã.

O Bispo chama a atenção para o que “não viste” em lugar de privilegiar “o que viste”, pois nisto consiste a essência do mistério: sinal sensível ou visível de uma realidade invisível .

Projeto Karibu - Aula 5

Marlanfe Tavares de Oliveira, 2014.

 

Desde os primórdios, a mais nova das Grandes Escolas Iniciáticas de Mistérios -  o Cristianismo – procurou deixar claro seu vínculo com os Sistemas Primitivos de Iniciação. É frequente encontrar-se no Evangelho a alusão de Jesus a um “tempo do Princípio”, onde a humanidade vivia uma Idade de Ouro. Mateus, cap. 19, versículo 3: “Alguns fariseus se aproximaram d’Ele e ,para pô-lo a prova, perguntaram: ‘É lícito repudiar a própria mulher por algum motivo?’ Ele lhes respondeu: ‘Não lestes que “desde o Princípio o Criador os fez homem e mulher? E que disse: Por isso o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne? Desse modo, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, não deve o homem separar.’ Eles porém objetaram: ‘Por que então Moisés ordenou que se desse Carta de Divórcio quando se repudiasse (a mulher)?’  ‘Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, permitiu-vos repudiar vossas mulheres, mas no princípio não era assim.”

 

Fica claro, aqui, que Jesus se baseava em um Sistema Social que vigorava em uma época que Ele denominou “No Princípio”. É essa ética que o Mestre vem trazer para o Seu tempo, a despeito das deturpações sofridas ao longo dos séculos ou dos milênios pela sociedade corrompida. Esses “Princípios” foram mantidos pelas Escolas Iniciáticas de Mistérios, das quais o Cristianismo primitivo foi a última e a mais completa.

É  lamentável, mesmo lastimável, que os Cristãos atuais não sigam o Caminho traçado pelos Hierofantes consoante a Tradição. Combatem as Escolas de Mistérios; detratam os Hierofantes Cristãos que seguem a Iniciação Antiga. Defraudam o legítimo sentido da Iniciação Cristã.

 

Mas não era assim “NO PRINCÍPIO”...

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Queremos provar, COM O MÁXIMO  EMPENHO, que os Sacramentos (ou mistérios) da Igreja são ao mesmo tempo MAIS ANTIGOS QUE OS DA SINAGOGA - NÃO  SOMENTE  MAIS  ANTIGOS, PORÉM, SUPERIORES! O Sacramento que recebeste não é dom de homem, mas de Deus (...)!" (Trecho do livro Os Sacramentos e os Mistérios - Santo Ambrósio)

 

Ficou pois provado que os Sacramentos (mistérios) da Igreja são mais antigos. Convence-te, agora, de que são superiores!

                       MYSTERIUM FIDEI

 

Projeto Karibu - Aula 1.

Marlanfe Tavares de Oliveira. 2014.

Projeto Karibu - Aula 2

Marlanfe Tavares de Oliveira, 2014.

 

Os sumérios foram conquistados pelos Akádios, que com eles aprenderam o que puderam, com  essa raça semidivina.  Fundiram-se as famílias através de casamentos, e surgiu um novo povo : o Caldeu. Este povo herdou dos sumérios e akádios sua cultura, porém sendo semitas, não abriram mão de seu Panteão divino.

 

Colocaram no lugar de ANU, seu Deus  Criador, EL. Em segundo lugar, o filho de EL, BAAL (que significa “Senhor”), e curiosamente, CONSERVARAM ENKI NA SUA ÁRVORE, SÓ QUE COM O NOME DE EA. Continuava o deus bonzinho, criador do homem, na Árvore  dos Caldeus, como um deus de terceira categoria. Ficava assim: Kéter= EL;  Binah= BAAL; Cochmah= EA.

 
Projeto Karibu - Aula 3

Marlanfe Tavares de Oliveira, 2014.

 

Vimos, nos capítulos anteriores, a evolução do conceito de “Árvore Sagrada” (cerca de 2.300  anos a.C.) para o de “Árvore da Vida”, (na Idade Média), sem interrupção da continuidade desse glifo.  Vimos, ainda, que, além de servir como a “Árvore Geneológica” dos Grandes Deuses da antiguidade (sempre em número de 12), a Árvore é apresentada, quase sempre, com sacerdotes colhendo seus frutos.

Quatro mitos aparecem com frequência nas esculturas sumerianas: o homem, a águia, o touro e o leão, representados tanto isoladamente  quanto unidos ou combinados como seres mistos. É possível que a águia seja o representativo do Espírito Divino, na Árvore da Vida equivale ao Nível de Aziluth (Olam Aziluth). O homem parece simbolizar a ordem, a inteligência que submete todas as coisas; na Árvore da Vioda equivale ao Nível de B’riah (Olam B’riah). Os leões são guardiões dos templos e dos palácios; na Àrvore da Vida equivale ao Nível ou Plano de Yetzirah. O touro parece ligar-se à terra e à fecundidade - é, portanto, representativo da força básica que nos anima e alimenta; na Árvore da Vida equivale ao Nível ou Plano de Assiah. Unidos, esse quatro Níveis, Planos ou Mundos (OLAM, em Hebraico) configuram o Ser Total, o Homem Completo, o ADAM KADMON. Representa-se como na figura ao lado. Esta é a representação original  sumerio-babilônica do Karibu ou Kerub. É o mesmo que a Árvore da Vida.

É nítida a influência dos ‘deuses’ sumérios na Babilônia, Egito, Pérsia, Grécia, etc. Eram seres com amores e desafetos, constituíam família, iravam-se, riam, guerreavam, presenteavam, tinham relações incestuosas e davam pouca atenção aos ‘mortais’. Exatamente como os deuses gregos e egípcios. Daí conclui-se que a similaridade dos deuses antigos entre culturas diferentes é um reflexo ou cópia do panteão sumério. 

Ficou clara, portanto, a convergência dos dois mais antigos símbolos iniciáticos sumerianos: a Árvore da Vida e o Karibu, ou Kerub, nossa atual esfinge - símbolo do quaternário que sintetiza o homem perfeito: inteligência, vontade, memória e sensibilidade.

Esses povos estavam acostumados a ‘deuses’ que viviam entre eles, tinham esposas e filhos – algumas daquelas pessoas podiam até mesmo ser descendentes desses ‘deuses’. Mas o fato é que as “Árvores Genealógicas” derivam dos registros desses povos, que para garantir o respeito a suas famílias, registraram sua descendência dos “deuses”.Inicialmente,  a “Árvore Genealógica” dos mesopotâmios representava a família das divindades que eles cultuavam. Posteriormente, essa Árvore foi assimilada com a  Árvore do Paraíso Terrestre que se chama A Árvore da Vida.

Dois sacerdotes-iniciados acessam a árvore, porém ela é protegida por esfinges com cabeças de homem ou de pássaro: os karibus (kerub). São os guardiães que gênesis menciona: “javeh  planta o jardim do edem, e nele as duas árvores – a árvore da vida, e a árvore da cência. Então disse o senhor deus: eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente... Pôs querubins ao oriente do jardim do éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.”

 

A tradição sumeriana-babilônica coloca, assim, diante do iniciado um mito explicativo de como se pode ter “vida” em plenitude: comendo dos frutos da árvore da vida. Porém é necessário passar pelos guardiães, os Querubim ou Kerub, ou Esfinges. Nisto consiste a iniciação mesopotâmica: o  sacerdote iniciado, após tornar-se uma Esfinge (Karibu ou Kerub = Querubim) colhe o fruto da árvore da vida.

 
 

Dessa forma os "Frutos da Árvore da Vida" podem ser estudados do ponto de vista apresentado no Curso Tarosofia, no Curso Tarot Cabalístico ou por meio de Meditação Cabalística sobre as Letras Hebraicas.

 

Leia o texto completo e aprenda como!

 
 
Projeto Karibu - Aula 6

Marlanfe Tavares de Oliveira, 2014.

 

Os quatro Níveis, Planos ou Mundos (OLAM, em Hebraico) configuram o Ser Total, o Homem Completo, o ADAM KADMON. O Christoântropos.

É isso que o Hierophante Católico, chamado de PAPA sabe que é, POR ISSO A TRADIÇÃO CATÓLICA MANTEVE O MISTÉRIO DO KARIBU (ESSA MITRA PAPAL TRAZ OS 4 ANIMAIS – O KARIBU).

 

Então, apresentado pelos seus anunciadores ou arautos  como O KARIBU, o CRISTOÂNTROPON  é o perfeito Karibu.

 

Logo, sua doutrina NÃO pode ser diferente  daquela que os Magos Caldeus, em seu Colégio, apresentavam aos candidatos à Iniciação. Pelo contrário, tem de ser a mesma. Assim, conflui a Tradição de Ur trazida por Abraão para a Palestina, as visões de Ezequiel, a visitação dos Magos Caldeus ao Menino Jesus e tudo o mais daí pra diante na doutrina do Mestre Excelso.

 

Por todos esses motivos, a Iniciação cristã NÃO podia deixar de ser uma Escola de Mistérios. E, nos quatro séculos iniciais do cristianismo, o foi.

 

No pátio do Templo havia uma piscina. Próximos dela o bispo e os catecúmenos encontravam-se para as Catequeses Preliminares. Nenhum candidato podia entrar no grupo se não fosse apresentado e atestado por um já membro. Essa tornou-se depois a função de padrinho. Pois bem, no pátio, como dizíamos, o candidato ouvia os sermões elucidativos da nova doutrina. No domingo de Páscoa, todos vestidos de branco, chamado por isso “domenica in albis”, eram todos batizados e seus nomes inscreviam-se no livro do Presbitério. Só então podiam entrar. A frase que se ouvia era: “Chegastes já à ante-sala do Palácio do Rei; oxalá sejais introduzidos pelo Rei. Já destes vossos nomes. O propósito sincero faz de ti um ELEITO.” 

 

Abriam-se para ele as portas do Templo QUE VIA PELA PRIMEIRA VEZ!  Começava  a Missa dos Catecúmenos, a qual consistia de leituras e sermões (ainda hoje é assim), enfim, de ensinamentos para poder chegar à Eucaristia, “o Mistério da Fé”. Pouco antes do banquete eucarístico, era delicadamente convidado a sair, pois somente os que se achavam preparados podiam ficar e participar. Era a Missa dos fieis (ainda se mantém essa divisão da Missa atualmente). As portas se fechavam para ele novamente. Abrir-se-iam somente quando estivesse pronto para compreender o Mistério do corpo e sangue de Jesus presente na Hóstia Consagrada.

 

Era ou não era uma Sociedade ou Escola de Mistérios?

 

                                                                 “MYSTERIUM FIDEI”

Projeto Karibu - Aula 8

Marlanfe Tavares de Oliveira, 2014.

 

Eis-nos chegados, finalmente, ao momento em que  desvelaremos totalmente o cristianismo esotérico. Nos quatro primeiros séculos, a religião cristã deixou bem claro que era uma Escola de Mistérios. Aqueles que a buscavam tinham de passar pelas seguintes etapas:

1) Candidato:  o postulante era apresentado à comunidade por um já membro, o qual se tornava por ele responsável, e que originou o papel do “padrinho”.

 

2) A preparação para a Iniciação era feita pelo Bispo ou Presbítero, em espaço fechado à curiosidade pública, e ministrava-se o ensino do “mistério”.

 

3) A Iniciação constava de um lavacro ritual, o batismo, no qual o neófito  escrevia o nome em um livro, tornando-se assim participante da Egrégora, espiritual e materialmente. 

A primeira Iniciação era, como já foi dito, o batismo. Não era nenhuma novidade, porquanto quase todas as Escolas de Mistérios ministravam o lavacro do corpo físico para purificar os “mystes”.

O batismo obrigava o recipiendário a assumir a responsabilidade de levar uma vida nova: era um renascimento espiritual. A instrução dada se baseava no relato da “queda”, também chamada de “pecado original”, e enfatizava a necessidade de regeneração, de reerguimento para chegar ao estado adâmico e mesmo ultrapassá-lo, graças à doutrina da Redenção.

 

Após o batismo, o Mistério Menor,  – o qual permitia ao “myste” o ingresso no Templo – começava-se a instrução para a participação da Ceia Pascal, comunitária, o Grande Mistério da nova Escola.

 

Os iniciados eram divididos em três grupos ou graus (ainda segundo S. Paulo – I Cor. 2,13; 3,1 a 3) : carnais, psíquicos e perfeitos ou espirituais. O Grande Mistério, a Eucaristia ou Ceia Pascal, deveria tornar o Iniciado um Adepto ou Perfeito Iniciado.

 

O Dogma Único, praticado em todas as Escolas Antigas de Mistérios – divinizar o homem e humanizar Deus – era, desde cedo, explicado ao postulante:  o novo nascimento deveria torná-lo um outro Cristo, Filho de Deus e  ele mesmo, Deus.

 

Pela Eucaristia o Cristão enfrentava uma ascese na qual submetia sua vontade à vontade divina, pela obediência livremente consentida, até chegar à União Mística com o Cristo Jesus. Esta era chamada “As núpcias do Cordeiro”. Era o objetivo e razão de ser da Iniciação na Nova Escola de Mistérios: “Mistério oculto desde os tempos antigos e agora manifestado aos eleitos: o Cristo em vós, esperança da Glória”, diz São Paulo (Col 1,26/27).

 

JESUS QUERIA CRIAR UMA ESCOLA DE MISTÉRIOS

 

No  Evangelho, o Mestre conta as suas parábolas e somente as explica aos seus discípulos. Pedro pergunta por quê. A resposta é: “Porque a vós é dado conhecer os MISTÉRIOS DO REINO DO CÉU, não a eles, porém.” (Mt 13,11 a 13).

 

O Cristo em nós, esperança da Glória! O que significa isso?

 

A explicação está na seguinte passagem: “Jesus, de condição divina, não se apegou ciumentamente à sua igualdade com Deus; porém, fez-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isto Deus o exaltou enormemente e Lhe deu O NOME que é sobre todo nome, para que ao Nome de Jesus todo joelho se dobre: na terra, no Céu ou no inferno; e toda língua proclame: Jesus Cristo é Adonai para a Glória do Pai” (Fil 2,6 a 11).

 

Fez-se obediente até a morte...eis o modelo que todo Cristão terá de seguir! Será pela obediência livremente consentida que a Vontade se transmutará, alquimicamente,  em um desejo invencível de tornar-se um Filho de Deus, semelhante aO Filho de Deus, o qual  se encarnou para nos elevar à mesma dignidade  d’Ele; pois Ele quis tornar-se “o primogênito de uma multidão de irmãos” (Rom 8,28 a 30). E além, santificar a Sua Igreja pelo Seu sacrifício para apresentá-la a Si mesmo, Santa e Imaculada (Ef 5,27).

 

Não era pequeno o esforço requerido para atingir a condição de Cristo: Jesus havia dito: “Todo aquele que quiser ser meu discípulo, pegue a sua cruz e siga-me todos os dias de sua vida” (Mt 16,24 ss). Isto obrigava a um esforço constante e enorme da vontade, até transformá-la em desejo invencível. Para facilitar este esforço, o Senhor Jesus enviou do Alto o Espírito Santo (Lc 24,49; At 1,4/5) que nos provê das sete Virtudes, únicas capazes de vencer os sete Pecados Capitais: Fortaleza, Temperança, Justiça, Prudência, Fé, Esperança e Caridade ou Amor. A essa dádiva do Cristo a Igreja chama “graça santificante”. Ela torna dócil a vontade, possibilitando o esforço de uma ascese feita com amor, porque plenificada pela Esperança que vem da Fé.

 

“Pai, seja feita a tua vontade, na terra como no  Céu”. Eis o lema posto no lábaro do Cristão, o qual era a toda hora lembrado na Oração do Pai Nosso. Pois a vontade do Pai, diz-nos Jesus, é que todos tenham Vida em plenitude ( Jo 6,39/40; Jo 10,10; Jo 17,1 a 3).

 

A confiança do Adepto não reside em si mesmo, mas no Espirito: “Não nos deixes cair quando em tentação”: o dom da Fortaleza, como acabamos de ver, é uma dádiva celeste, obtida pelo mérito do Senhor Jesus: “Pois temos um Sumo-Sacerdote no Céu, capaz de se compadecer de nossas fraquezas, o qual intercede continuamente por nós diante de Deus” (Hb 2,16; Hb 4,14 ss), afirma a Epístola aos Hebreus. “Todo Dom e toda dádiva perfeita procede do Pai das Luzes” (Tg 1,17).  Jesus dissera a Pilatos: “Nenhum poder sobre mim terias se do Alto não te fosse dado” (Jo 19,8).

 

Esse é o Mistério do Cristo. Comprometemo-nos com Ele, no Batismo, a lutar até a morte para vencer o Homem Velho e fazer nascer o Homem Novo. Ele vem ao nosso socorro na Eucaristia, dom de Amor supremo, em que une à nossa Sua alma divina.  Dessa União mística nasce em nós “O Filho de Deus”, irmão de Jesus Cristo e herdeiro do Céu (Rom 8,14 a 17). Curiosamente, cumpre-se a palavra da Serpente do Gênese: “Sereis como Deus”!(Gn 3,5).

             

“Filhinhos, vede quanto amor nos demonstrou o Pai: desde já somos chamados Filhos de Deus! Porém não se manifestou ainda o que havemos de ser, porque quando isso acontecer seremos iguais a Ele e o veremos como Ele é” (I Jo 3,1/2).

      

“Graças vos dou, ó Pai, porque ocultaste essas coisas dos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos. Porque foi do Teu agrado nos dar do vosso Reino” (Mt 11,25; Lc 10,21). “Tudo pertence ao meu Pai, e me pertence igualmente, porque tudo o que o Pai tem é meu” (Jo 16,15; Jo 10,29 ss). Logo, mentiu Satã quando disse: “Tudo me foi dado e eu dou a quem eu quiser, se prostrado de joelhos me adorares” (Lc 4,5 a 7). Eis a verdade do Dogma: “Tudo é vosso, vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (I Cor 3,21 a 23).

 

UM REINO NECESSITA DE UM REI

 

Jesus pregou o advento do Reino de Deus, e se proclamou seu Rei. Os chefes judeus do Seu tempo, maliciosamente o acusaram de seduzir o povo e ser contra César. Tal acusação o fez ser preso e julgado por Pilatos (Jo 18,33 ss):

 

“Então Pilatos entrou novamente no pretório, chamou Jesus e lhe disse: -Tu és o Rei dos Judeus?

Jesus respondeu: - Meu reino não é deste mundo; se meu reino fosse deste mundo meus súditos teriam combatido para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas meu Reino não é daqui.

 

Pilatos lhe disse: -Então, tu és rei?

 

Respondeu Jesus: - Para isso nasci e para isso vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Quem é da Verdade ouve minha voz.

      

De qual Verdade Jesus estava falando, tão importante que Ele diz ter nascido para testemunhá-la? Para encontrar a resposta teremos de ir ao Livro do Gênese 1,26:

 

“Deus disse: façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança e que eles dominem os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra”. E após criar o Homem, Deus repete o que já dissera: “Sede fecundos e proliferai, enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes....etc.(idem, 28). Esta é A VERDADE que Jesus disse ter nascido para dar testemunho! O Homem cometeu um erro, este tornou-se um vício e o vício o escravizou. O escravo não é dono de si, pois obedece ao seu senhor. E eis a humanidade escrava dos vícios, obediente aos maus instintos e à perversidade; nega, assim o mandato divino de “dominar”, de “dominus=senhor”. Cristo vem provar pela Sua vida, Seus atos e feitos que é Senhor, “dominus” em latim. E no Seu Reino todos os homens são “senhores” que possuem o domínio próprio. Cada homem ou mulher que participa desse Reino é participante da realeza de Jesus Cristo. Essa é a Verdade que o Mestre veio testemunhar. Para isto necessita-se vencer o vício, o erro, a tendência adquirida pelo ato do pecado para transgredir e subverter a Ordem e a Lei natural. A Iniciação Cristã é capaz de dar ao ser humano o poder e o domínio que lhe foi tirado no ato da “queda”. Ele torna-se, de fato, um “Adonai”, Senhor de si e dos seus atos e feitos. O Homem cristificado reina! E pode, como Jesus, responder à pergunta de Pilatos:

 

-Sí eis ô basileis? (Sois rei?)

-Basileis eimi. (Sim, eu sou rei).

Projeto Karibu - Aula 7

Marlanfe Tavares de Oliveira, 2014.

 

O que o candidato buscava encontrar ao ingressar em uma Escola de Mistérios?  

-Participar da natureza do deus cultuado por aquela Escola.

Vêmo-lo claramente nas descrições que nos ficaram do processo iniciático em qualquer tempo e lugar. O “myste”, diz-nos os vários autores, procurava atingir a “sabedoria do deus”, a “comunhão com a divindade”, a garantia de uma “vida eterna” feliz:

“ As antigas religiões pagãs de mistério também serviam-se  de meios sensíveis com o fim de captar as forças sobrenaturais e de realizar uma comunhão mais íntima com a divindade. (...) Seus meios de expiação tendiam a suprimir de algum modo a culpa e a dar paz à consciência; procuravam excitar e ir ao encontro do desejo e da esperança de uma imortalidade feliz, de uma participação na vida da divindade venerada”. (Bernard Bartmann, Teologia Dogmática, Sacramentos, Vol. III, 1964. Paulinas). 

O que o candidato buscava encontrar ao ingressar em uma Escola de Mistérios?  
 

- Participar da natureza do deus cultuado por aquela Escola.

 

Vêmo-lo claramente nas descrições que nos ficaram do processo iniciático em qualquer tempo e lugar. O “myste”, diz-nos os vários autores, procurava atingir a “sabedoria do deus”, a “comunhão com a divindade”, a garantia de uma “vida eterna” feliz:

 “ As antigas religiões pagãs de mistério também serviam-se  de meios sensíveis com o fim de captar as forças sobrenaturais e de realizar uma comunhão mais íntima com a divindade. (...) Seus meios de expiação tendiam a suprimir de algum modo a culpa e a dar paz à consciência; procuravam excitar e ir ao encontro do desejo e da esperança de uma imortalidade feliz, de uma participação na vida da divindade venerada”. (Bernard Bartmann, Teologia Dogmática, Sacramentos, Vol. III, 1964. Paulinas). 

 

O CRISTIANISMO SATISFEZ O ANSEIO SECRETO DO  MISTÉRIO

 

Como última das grandes Escolas Antigas de Mistérios, o Cristianismo naturalmente satisfez o anseio secreto das Escolas de Mistérios. Citemos, de novo, Bartmann:

 

“Nas relações deste grande movimento (as Escolas de Mistérios) com o Cristianismo, é nossa convicção que, no que se refere à questão de (1) se o Cristianismo aceitou o mistério no seu dinamismo ou (2) se o Cristianismo o rejeitou, deveremos  acrescentar uma terceira, que é a de saber, ao invés, se o Cristianismo satisfez à ânsia secreta dos mistérios, indo-lhe ao encontro como aquilo onde ele encontrava com mais eloquência os desejos substanciais que O invocavam (a Deus)”. (Bernard Bartmann, Teologia Dogmática, Sacramentos, Vol. III, 1964. Paulinas).

 

É  fato que Paulo escreve com toda a clareza para os Altos Iniciados do Cristianismo, como já lemos,  dizendo que o cristão encontrou o “mistério oculto” ou “sabedoria” que as Escolas procuravam. Devemos, portanto, neste capítulo, mostrar COMO os cristãos faziam para encontrar a “sabedoria de Deus misteriosa e oculta” de que PAULO nos fala. Isso nos leva aos Sacramentos.

 

Já falamos dos Sacramentos cristãos e sua relação com os Mistérios Pagãos no capítulo V. Ali mostramos, pelas palavras de Santo Ambrósio de Milão, que os Sacramentos cristãos (Católicos) substituíram os ritos pagãos, sendo mesmo seus equivalentes. É necessário agora detalhar quais os Mistérios pagãos que encontraram mais equivalência nos Sacramentos : O BATISMO e a COMUNHÃO.

 

Uma forma especial de comunhão era atingida pelo myste: uma união com a divindade tão especial e total que era chamada de “matrimônio espiritual”.

 

                                                                                 O BATISMO

 

“É fácil provar a existência de um batismo não apenas entre os hebreus e essênios, mas também entre os pagãos. Os babilônios, os iranianos, os indianos, os egipcios, os romanos, os gregos e, sobretudo, os mandeus, usavam de abluções religiosas. Já os Padres da Igreja (no século IV) acenam a batismos pagãos, falando de imitações deste sacramento cristão. Assim Tertuliano (De praescrip. 40; De Bapt. 5).   São Justino (Apol.I, 62).  O costume desses batismos estava muito mais difundido do que o imaginavam os Padres e encontramos sua explicação na necessidade geral, vivamente sentida pela natureza humana, de pureza moral, simbolizada pela purificação física.” (Bernard Bartmann, Teologia Dogmática, Sacramentos, Vol. III, 1964. Paulinas).

 

Os ritos iniciáticos das Escolas de Mistérios,  acabamos de ler, impunham a purificação ritual na recepção do candidato. Algumas Escolas tinham abluções constantes, outras – como os essênios – apenas uma, aquela que era feita para a admissão do neófito. De qualquer modo, era sempre uma suposição de que o homem portava um tipo qualquer de defeito ou impureza, a qual necessitava de um lavacro antes de ele poder comungar com a divindade. Isto nos leva ao mito do “Pecado Original”.

 

O Batismo de João – Segundo a intenção do próprio Batista, tinha um caráter moral;  era um batismo de penitência para se obter a remissão dos pecados (Mt. 3,11). Cristo o considera uma  uma instituição divina (Mc 11,30; Mt 21,25; Lc 20,4). Ele mesmo, aliás recebera esse batismo, como também o receberam alguns dos seus Apóstolos que eram discípulos de João (Pedro, André, Filipe e Natanael, segundo Jo. I,35 a 51).

 

Jesus torna o batismo obrigatório na Sua Igreja: “Ide, pois, ensinando a todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo” (Mt. 28,18ss e em Mc. 16,15ss). Como está no Livro dos Atos, a partir do capítulo 2, versículo 38, são abundantes os exemplos em que o batismo é administrado pelos Apóstolos de Jesus. São Paulo põe o Batismo e a Eucaristia em uma relação direta com a morte do Senhor (Rom 6,3). Isso o torna um rito de regeneração espiritual em Cristo.

 

São Cirilo de Jerusalém põe em evidência “o nome” explicando que esse rito confere a cidadania celeste e engaja no exército de Cristo (Catequese Preliminar I). Isso nos leva a dois conceitos: o de uma egrégora –  dos cidadãos do Reino do Céu ; e a um combate feito por essa egrégora. Paulo sublinha o fato de haver “combatido o bom combate” tanto na 1ª quanto na 2ª Carta a Timóteo (I Tim. 1,18 e 6,12; II Tim. 4,7).

 

O nome é o Nume, isto é, o poder. Batizados em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, haverá, necessariamente uma participação no Nome, e consequentemente, no Nume. A Escritura menciona também que o batismo era feito “em nome de Jesus”. Participantes do Nume (do Pai, do Filho e do Espírito Santo), haverá de acontecer uma mudança de caráter.

 

Há muitos exemplos de mudança de nome na Escritura. Jacó teve seu nome mudado para “Israel”; Simão tornou-se “Pedro”.  Em ambos os casos há a explicação: ISRAEL é o que luta contra Deus e contra os homens; PEDRO é o que se tornou a pedra.

 

Essa mudança de caráter é especialmente levada em conta na Alquimia. Chama-se “Alkaest” e é o Princípio da Grande Obra.

 

Disso trataremos no próximo capítulo.

 
 
Projeto Karibu - Aula 9

Marlanfe Tavares de Oliveira, 2015.

 

A nossa transformação em Cristo – Teologia Ascética e Mística: Alquimia? A Ascese e a Mística. As 3 vias.Os 3 objetivos do Adepto. Os 3 estágios da luta: a carne, o mundo e o diabo. A 1ª via: purgativa. O “nigredo”. O “Quatérnio” mágico : método universal para a perfeição . Voltamos ao início? A Obra da Manifestação é representada pelo quadrado. 

 

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