MAGIA

 

No fundo da magia há a ciência, como no fundo do cristianismo há o amor

O homem, saído das mãos de Deus, é escravo de suas necessidades e de sua ignorância: deve libertar-se pelo estudo e pelo trabalho. Só a onipotência relativa da vontade, confirmada pelo Verbo, torna os homens livres, e é à ciência dos antigos magos que é preciso pedir os segredos da emancipação das forças vivas da vontade.

 

Através dos véus de todas as alegorias hieráticas e místicas dos antigos dogmas, através das trevas e das provas bizarras de todas as iniciações, sob o selo de todas as escrituras sagradas, sob as pedras carcomidas dos antigos templos e na face escurecida das esfinges da Assíria e do Egito, nas páginas sagradas dos Vedas, nos emblemas estranhos dos velhos livros de alquimia encontram-se os traços de uma doutrina em toda parte a mesma e em toda parte escondida cuidadosamente.

 

A filosofia oculta parece ter sido a nutriz de todas as forças intelectuais, a chave e todas as obscuridades divinas, e a rainha absoluta da sociedade, nos tempos em que era exclusivamente reservada à educação dos padres e dos reis.

Ela reinava absoluta na Pérsia dos magos; ela dotara a Índia das tradições mais maravilhosas e de um incrível luxo de poesia; ela civilizara a Grécia aos sonda da lira de Orfeu; ela escondia o princípio de todas as ciências e de todos os progressos do espírito humano nos cálculos audaciosos de Pitágoras. A esta ciência, dizia a multidão, nada é impossível. Eis o que fora a magia desde Zoroastro até o Cristianismo.

 

Todavia, no fundo da magia há a ciência, como no fundo do cristianismo há o amor; e, nos símbolos evangélicos, vemos o Verbo encarnado ser, na sua infância, adorado por três magos que uma estrela guia, e recebe deles o ouro, o incenso e a mirra. 

 

Trecho de "Dogma e Ritual da Alta Magia", de Eliphas Levi.

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