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PSICOBIOENERGÉTICA IV

Da Emoção à Lesão 

 

O OLHO DE HÓRUS (à esquerda) É, NA VERDADE UM LEMBRETE PARA OS SACERDOTES INICIADOS EGÍPCIOS NÃO ESQUECEREM A IMPORTÂNCIA DE DOMINAR O SISTEMA LÍMBICO (à direita), SEDE DAS EMOÇÕES.

 

Do ponto de vista psicológico, existem emoções naturais, fisiológicas, que aparecem em todas as pessoas e são consequentes a um importante substrato biológico. Elas podem ser a alegria, o medo, a ansiedade ou a raiva, entre outras. Essas emoções podem ser agradáveis ou desagradáveis, capazes de nos mobilizar para a atividade e de influir na comunicação interpessoal. Portanto, essas emoções atuam como poderosos motivadores da conduta humana. Além dessas emoções serem capazes de mobilizar o Sistema Nervos Autônomo, juntamente com outros órgãos e sistemas diretamente, não obstante, elas podem ter um importante papel na qualidade de vida psicológica. Portanto, as emoções influem sobre a saúde e sobre a doença não apenas em decorrência da psico-neuro-fisiologia, mas também através de suas propriedades motivacionais, pela capacidade de modificar as condutas saudáveis, tais como os exercícios físicos, a dieta equilibrada, o descanso, etc., conduzindo muitas vezes para condutas não saudáveis, como o abuso do álcool, tabaco, sedentarismo, etc.

 

Ansiedade, Tristeza e Ira: complicações na saúde

 

O termo emoções negativas se refere às emoções que produzem uma experiência emocional desagradável, como por exemplo, a ansiedade, a raiva e a tristeza. As emoções positivas são aquelas que geram uma experiência agradável, tais como a alegria, a felicidade ou o amor (PESSOALMENTE, NÃO CONSIDERO A ALEGRIA, A FELICIDADE OU O AMOR COMO EMOÇÕES, E SIM COMO SENTIMENTOS OU AFETOS. O ILUSTRE MÉDICO AUTOR DA MATÉRIA ORA ESTUDADA POR NÓS DERRAPOU...TODA EMOÇÃO DESORGANIZA NOSSO CORPO E NOSSA MENTE).

 

Hoje em dia há dados suficientes para podermos afirmar que as emoções positivas potencializam a saúde, enquanto as emoções negativas tendem a comprometê-la. Por exemplo, em períodos de estresse, quando as pessoas desenvolvem muitas reações emocionais negativas, é mais provável que surjam certas doenças relacionadas com o sistema imunológico, como por exemplo, a gripe, herpes, diarreias, ou outras infecções ocasionadas por vírus oportunistas. Em contrapartida, o bom humor, o riso, a felicidade, ajudam a manter e/ou recuperar a saúde (COMO DISSEMOS ACIMA, O BOM HUMOR, O RISO E A FELICIDADE SÃO ESTADOS AFETIVOS, EXTERIORIZAÇÃO DOS SENTIMENTOS, NÃO SÃO EMOÇÕES!)

 

Dentro das emoções negativas, uma das reações emocionais que mais se tem estudado é, sem dúvida, a ansiedade. Este é um estado emocional reconhecidamente associado a múltiplos transtornos. Uma segunda emoção negativa que está sendo muito estudada é a raiva, por sua estreita relação com os transtornos cardiovasculares. Finalmente, a tristeza e sua representação psicopatológica, a Depressão, acompanha, em geral, a ansiedade.

   

A ansiedade pode ser considerada como uma reação natural que se produz diante de certos tipos de situações nas quais a pessoa necessitaria de recursos adaptativos extras. As situações onde se desencadeiam a reação de ansiedade têm em comum, em geral, a previsão subjetiva de possíveis consequências negativas para o indivíduo. Isto supõe uma mobilização de diferentes recursos cognitivos, tais como a atenção, a percepção, a memória, o pensamento, a linguagem, etc.; de diferentes recursos fisiológicos, como a ativação do sistema nervoso autônomo, da ativação motora, da atividade glandular, etc.; e de diferentes recursos de conduta, como estar alerta, evitar o perigo, etc. Tais recursos teriam como objetivo o enfrentamento das possíveis consequências negativas.

 

Apesar da ansiedade ser uma emoção natural, de caráter essencialmente adaptativo, quando excessiva ela pode estar na base de muitos processos que podem levar à doença.

 

Da Emoção à Lesão

 

Uma ampla variedade de transtornos psico-fisiológicos pode estar associada à ansiedade, entre eles os transtornos cardiovasculares, digestivos, cefaleias, síndrome pré-menstrual, asma, transtornos dermatológicos, transtornos sexuais, dependência química, transtornos alimentares, debilidade do sistema imune etc.

 

Quanto mais avançam os meios de investigação da patologia, mais se evidencia a relevância dos fatores psicológicos na etiologia e desenvolvimento de um grande número de doenças até então não consideradas como psico-fisiológicas. Esses transtornos englobam desde doenças neurológicas, como a Esclerose Múltipla, até enfermidades infecciosas, como a tuberculose, passando por enfermidades imunológicas, como a leucemia (Wittkower y Dudek, 1973).

 

A psicossomática preocupar-se-á com as diversas categorias de reações orgânicas, utilizando-as para compreender qualquer transtorno físico nos quais os fatores psicológicos sejam importantes. Por exemplo, no caso do Lúpus Eritematoso Sistêmico, a psicossomática estará preocupada em estudar as alterações das emoções sobre a imunidade, sobre os linfócitos T, ou sobre as imunoglobulinas. 

 

Da Emoção à Emoção Mesmo

 

As emoções negativas podem, por sua vez, determinar não apenas uma repercussão orgânica, como se vê em psicossomática, mas, sobretudo, repercussões psico-emocionais. Neste caso, o excesso de ansiedade poderia se traduzir por Transtornos de Ansiedade. Vejamos os casos onde a ansiedade patológica “se converte” em quadros psiquiátricos definidos pelas classificações internacionais (CID.10 e DSM.IV):

  • Ataque de Pânico: caracteriza-se por crise súbita de sintomas de apreensão, medo intenso ou terror, acompanhados habitualmente de sensação de morte iminente. Aparecem também durante estes ataques, sintomas como palpitações, opressão ou mal estar torácico, sensação de sufocamento, medo de perder o controle, de ficar louco.

  • Agorafobia: caracteriza-se pelo aparecimento de ansiedade ou comportamento de evitação de lugares ou situações de onde escapar pode ser difícil ou complicado, ou ainda de onde seja impossível conseguir ajuda no caso de se passar mal.

  • Fobia específica: caracteriza-se pela presença de ansiedade clinicamente significativa, como resposta à exposição a determinadas situações e/ou objetos específicos temidos irracionalmente, dando lugar a comportamentos de evitação.

  • Fobia social: caracteriza-se pela presença de ansiedade clinicamente significativa como resposta a situações sociais ou atuações em público, e também podem dar lugar a comportamentos de evitação.

  • Transtorno obsessivo-compulsivo: caracteriza-se por obsessões que causam ansiedade e mal-estar significativos, e/ou compulsões, cujo propósito é neutralizar a ansiedade. As obsessões são ideias involuntárias, recorrentes, persistentes, absurdas e geralmente desagradáveis que aparecem com grande frequência sem que a pessoa possa evitá-las. As compulsões são comportamentos repetitivos e litúrgicos que se realizam em forma de rituais.

  • Transtorno por estresse pós-traumático: caracteriza-se pela recorrência de experiências ou de acontecimentos altamente traumáticos, e comportamento de evitação dos estímulos relacionados com a situação vivida como traumática.

  • Transtorno por estresse agudo: caracteriza-se por sintomas parecidos com o transtorno por estresse pós-traumático que aparecem imediatamente depois de um acontecimento altamente traumático.

  • Transtorno de ansiedade generalizada: caracteriza-se pela presença de ansiedade e preocupações excessivas e persistentes durante pelo menos seis meses.

  • Transtorno de ansiedade devido a enfermidade médica geral: caracteriza-se por sintomas proeminentes de ansiedade que se consideram secundários a efeitos fisiológicos diretos de uma enfermidade subjacente.

  • Transtorno de ansiedade induzido por sustâncias: caracteriza-se por sintomas proeminentes de ansiedade secundários aos efeitos fisiológicos diretos de uma droga, fármaco ou tóxico.

  • Transtorno de ansiedade não especificado: existe para encaixar aqueles transtornos que se caracterizam por ansiedade ou evitação fóbica proeminentes, que não reúnem os critérios diagnósticos dos transtornos de ansiedade já mencionados

(FONTE: PsiqWeb).

*Geraldo José Ballone é médico psiquiatra e foi professor de psiquiatria da Faculdade de Medicina da PUC-Campina. Co-autor dos livros Sinopse de Psiquiatria, Da Emoção à Lesão, Psiquiatria e Psicopatologia Básicas, Histórias de Ciúme Patológico e criador e coordenador do site PsiqWeb. Áreas Encefálicas Relacionadas com as Emoções. O sistema Límbico. Professor Ângelo  Machado.

                                                                                                          NEUROANATOMIA FUNCIONAL

 

1.0 - INTRODUÇÃO

       

Alegria, tristeza, medo, prazer e raiva (IRA) são exemplos do fenômeno da emoção. Para seu estudo, costuma-se distinguir um componente central, subjetivo, e um componente periférico, o comportamento emocional. O componente periférico é a maneira como a emoção se expressa e envolve padrões de atividade motora, somática e visceral, que são característicos de cada tipo de emoção e de cada espécie. Assim por exemplo, a raiva manifesta-se de maneira muito diferente no homem, no gato ou em um galo garnisé. A alegria no homem se expressa pelo riso, no cachorro pelo abanar da cauda. O choro é uma expressão da tristeza, característica do homem (para um estudo comparativo sobre a expressão das emoções, veja o clássico e ainda atual livro de Charles Darwin “The expression of the emotions in man and animals, London, John Murray, 1872). A distinção entre o componente interno, subjetivo, e o componente externo, expressivo da emoção, é, pois, importante para seu estudo. Ela fica mais clara se lembrarmos que um bom ator pode simular perfeitamente todos os padrões motores ligados à expressão de determinada emoção, sem que sinta emoção nenhuma.

      

Durante muito tempo acreditou-se que os fenômenos emocionais estariam na dependência de todo o cérebro. Coube a Hess, prêmio Nobel de medicina há cerca de 50 anos, demonstrar que esses fenômenos estão relacionados com áreas específicas do cérebro. Este cientista implantou eletrodos em diferentes regiões do hipotálamo do gato e observou as mais variadas manifestações de comportamento emocional, quando estas áreas eram estimuladas eletricamente em animais livres e acordados. Sabe-se hoje que as áreas relacionadas com os processos emocionais ocupam territórios bastante grandes do encéfalo, destacando-se entre elas o hipotálamo, a área pré-frontal e o sistema límbico. A maioria dessas áreas está relacionada também com a motivação, em especial com os processos motivacionais primários, ou seja, aqueles estados de necessidade ou de desejo essenciais à sobrevivência da espécie ou do indivíduo, tais como fome, sede e sexo (SAPE). Por outro lado, as áreas encefálicas ligadas ao comportamento emocional também controlam o sistema nervoso autônomo, o que é fácil de entender, tendo em vista a importância da participação desse sistema na expressão das emoções. Essas áreas serão estudadas a seguir.

 

2.0 TRONCO ENCEFÁLICO

 

No tronco encefálico (complexo-R) estão localizados vários núcleos de nervos cranianos, viscerais ou somáticos, além de centros viscerais como o centro respiratório e o vasomotor. A ativação destas estruturas por impulsos nervosos de origem telencefálica ou diencefálica (ver fig. Abaixo) ocorre nos estados emocionais, resultando nas diversas manifestações que acompanham a emoção, tais como o choro, as alterações fisionômicas, a sudorese, a salivação, o aumento do ritmo cardíaco, sensação desagradável no estômago, dispneia, etc.

  

Além disto, as diversas vias descendentes que atravessam ou se originam no tronco encefálico vão ativar os neurônios medulares, permitindo aquelas manifestações periféricas dos fenômenos emocionais que se fazem por nervos espinhais ou pelos sistemas simpático e parassimpático sacral. Deste modo, o papel do tronco encefálico (COMPLEXO-R) é principalmente efetuador, agindo basicamente na expressão das emoções.

        

Contudo, existem dados que sugerem que a substância cinzenta central do mesencéfalo e a formação reticular podem ter, também, um papel regulador de certas formas de comportamento agressivo.

 

 

 

 

 

        

Cabe lembrar também que no tronco encefálico origina-se a maioria das fibras nervosas  do sistema nervoso central. É especialmente importante a via mesolímbica, que se projeta especificamente para áreas altamente relevantes à regulação dos fenômenos emocionais, como o sistema límbico e a área pré-frontal. Em síntese, embora os centros encefálicos mais importantes para a regulação das emoções não estejam no tronco encefálico, estes centros sofrem influência de neurônios nele localizados.

 

OS TRÊS CÉREBROS DO HOMEM: BULBO, PONTE E CEREBELO: COMPLEXO-R, SISTEMA LÍMBICO E O NEOCÓRTEX.

  

3.0 – HIPOTÁLAMO

       

A participação do hipotálamo na regulação do comportamento emocional, evidenciada pela primeira vez por Hess, foi amplamente confirmada em vários animais e no homem. Estimulações elétricas ou lesões do hipotálamo em animais não anestesiados determinam respostas emocionais complexas, como raiva e medo, ou, conforme a área, placidez. Verificou-se, por exemplo, que a lesão do núcleo ventromedial do gato torna o animal extremamente agressivo e perigoso. Em uma experiência clássica verificou-se que, quando se retiram os hemisférios cerebrais de um gato, inclusive o diencéfalo, deixando-se apenas a parte posterior do hipotálamo, o animal desenvolve um quadro de raiva que desaparece quase completamente quando se destrói todo o hipotálamo. Sabe-se hoje que este quadro de raiva (IRA) só aparece quando são incluídas na lesão áreas corticais ou subcorticais do sistema límbico. Este sistema, através de inúmeras conexões, exerce uma ação inibidora sobre o hipotálamo posterior que, quando liberado, funciona como agente de expressão das manifestações viscerais e somáticas que caracterizam a raiva. Ao que parece, o hipotálamo tem um papel preponderante como coordenador das manifestações periféricas das emoções. Sabe-se, entretanto, que a estimulação de certas áreas do hipotálamo do homem desperta uma sensação de prazer, o que sugere sua participação também no componente central, subjetivo, da emoção.

        

A maioria das modificações do comportamento observadas em experiências com o hipotálamo de animais já foi também observada no homem, em experiências realizadas durante o ato operatório ou como consequência de traumatismos, tumores, lesões vasculares ou infecções desta região. Não resta, pois, dúvidas de que o hipotálamo exerce um importante papel na coordenação e integração dos processos emocionais.

 

4.0 - TÁLAMO

       

Lesões ou estimulações do núcleo dorsomedial e dos núcleos anteriores do tálamo já foram correlacionadas com alterações da reatividade emocional no homem e em animais. Ao que parece, entretanto, a importância destes núcleos na regulação do comportamento emocional decorre de suas conexões. O núcleo dorsomedial liga-se ao córtex da área pré-frontal ao hipotálamo e ao sistema límbico.

 

Os núcleos anteriores ligam-se ao corpo mamilar e ao córtex do giro do cíngulo, fazendo parte de circuitos do sistema límbico. A significação funcional da área pré-frontal e do sistema límbico será estudada a seguir:

 

 

5.0 - ÁREA PRÉ-FRONTAL

 

A área pré-frontal corresponde à parte não motora do lobo frontal, caracterizando-se como córtex de associação supramodal. Essa área desenvolveu-se muito durante a evolução dos mamíferos e no homem ocupa cerca de 1/4 da superfície do córtex cerebral. Suas conexões são muito complexas. Através dos fascículos de associação do córtex ela recebe fibras de todas as demais áreas de associação do córtex, ligando-se ainda ao sistema límbico.

 

 

Especialmente importantes são as extensas conexões recíprocas que ela mantém com o núcleo dorsomedial do tálamo. Informações sobre o significado funcional da área pré-frontal têm sido obtidas principalmente através de experiências feitas em macacos e observação de casos clínicos nos quais houve lesão nessa área. Destes, um dos mais famosos ocorreu em 1868, quando P.T. Gage, funcionário de uma ferrovia americana, teve seu córtex pré-frontal destruído por uma barra de ferro, durante uma explosão. Ele conseguiu sobreviver ao acidente, mas sua personalidade, antes caracterizada pela responsabilidade e seriedade, mudou dramaticamente. Embora com suas funções cognitivas basicamente normais, ele perdeu totalmente o senso de suas responsabilidades sociais e passou a vaguear de um emprego para outro, dizendo "as mais grosseiras profanidades" e exibindo a barra de ferro que o vitimara. "Sua mente estava tão radicalmente mudada que seus amigos diziam que ele não era mais o mesmo Gage", afirma Harlow (Harlow, H.M. – 1868 – “Recovery from the passage of na iron bar through the head”. Mass. Med. Publ. 2:327).

 

 No que se refere às observações em animais, a experiência mais famosa foi feita em 1935, por Fulton e Jacobsen, em duas macacas chimpanzé que tiveram suas áreas pré-frontais removidas. Depois da operação, as macacas passaram a não resolver mais certos problemas simples, como achar o alimento escondido pouco tempo antes. Isso levou os autores a sugerir que a área pré-frontal poderia estar relacionada com algum tipo de memória para fatos recentes. Além disto, os animais tornaram-se completamente distraídos e não desenvolveram mais as características manifestações emocionais de descontentamento, em situações de frustração.

Com base nessas experiências, Egas Moniz e Almeida Lima, dois cirurgiões portugueses, fizeram pela primeira vez, em 1936, a lobotomia (ou leucotomia) pré-frontal, para tratamento de doentes psiquiátricos com quadros de depressão e ansiedade. A operação consiste em uma secção bilateral da parte anterior dos lobos frontais, passando adiante dos cornos anteriores dos ventrículos laterais. Sabe-se hoje que os resultados devem-se principalmente à secção das conexões da área pré-frontal com o núcleo dorsomedial do tálamo. Essa cirurgia melhora os sintomas de ansiedade e depressão dos doentes, que entram em estado de ‘tamponamento psíquico’, ou seja, deixam de reagir a circunstâncias que normalmente determinam alegria ou tristeza. Assim, por exemplo, pacientes com dores intratáveis causadas por um câncer e profundamente deprimidos, após a lobotomia, embora continuem a sentir dor, melhoram do ponto de vista emocional e passam a não dar mais importância à sua grave situação clínica. O trabalho de Egas Moniz e Almeida Lima sobre a leucotomia frontal teve grande repercussão, pois pela primeira vez empregou-se uma técnica cirúrgica para tratamento de doenças psíquicas (psicocirurgia). O método foi largamente usado, caindo em desuso com o aparecimento de drogas de ação antidepressiva. Uma conseqüência indesejável da leucotomia é que muitos pacientes perdem a capacidade de decidir sobre os comportamentos mais adequados diante de cada situação, podendo, por exemplo, com a maior naturalidade, urinar, defecar ou masturbar-se em público.

        

Embora existam ainda muitas divergências e especulações em torno do significado funcional da área pré-frontal, a interpretação às vezes difícil de dados experimentais e clínicos, como os expostos acima, permite concluir que esta área está envolvida pelo menos nas seguintes funções:

 

a) escolha das opções e estratégias comportamentais mais adequadas à situação física e social do indivíduo, assim como a capacidade de alterá-las quando tais situações se modificam;

 

b) manutenção da atenção. Vimos que lesões na área pré-frontal causam distração, ou seja, os pacientes têm dificuldade de se concentrar e fixar voluntariamente a atenção. Cabe lembrar que outras áreas cerebrais - a formação reticular inclusive - também estão envolvidas no fenômeno da atenção. Entretanto, os aspectos mais complexos dessa função, como, por exemplo, a capacidade de seguir sequências ordenadas de pensamentos, dependem fundamentalmente da área pré-frontal;

 

c) controle do comportamento emocional, função exercida juntamente com o hipotálamo e o sistema límbico (A QUE NOS INTERESSA DIRETAMENTE EM NOSSO ESTUDO DE PSICOBIOENERGÉTICA).

 

Sabemos, com total e plena certeza, que Moisés conhecia o segredo do Olho de Hórus, pois era sacerdote egípcio -  segundo  o consenso dos eruditos -  em um templo de Heliópolis.

 

A Tradição judaica o afirma: “Atos 7

…21Entretanto, quando teve de ser abandonado, a filha do faraó o tomou e o criou como seu próprio filho. 22E assim, Moisés foi educado em toda a sabedoria dos egípcios e tornou-se um homem poderoso em palavras e obras. 23Quando completou quarenta anos, Moisés decidiu visitar seus irmãos israelitas. …”

 

Chegado à região do Sinai, após ser expulso do Egito por Ramsés, seu irmão de criação, Moisés recebeu uma instrução muito preciosa de um sacerdote madianita, Jetro, com cuja filha casou. Jetro conhecia a Tradição Atlante, segundo Edouard Schouré, e complementou a iniciação do Legislador Hebreu.

 

O episódio da sarça ardente do Horeb mostra que o formador do povo judeu não se emocionou nem mesmo diante do Anjo de Javé; mas em outra ocasião, ele se irou:

Números 20 Nova Versão Internacional (NVI-PT)

As Águas de Meribá

20 No primeiro mês toda a comunidade de Israel chegou ao deserto de Zim e ficou em Cades. Ali Miriã morreu e foi sepultada.

2 Não havia água para a comunidade, e o povo se juntou contra Moisés e contra Arão. 3 Discutiram com Moisés e disseram: “Quem dera tivéssemos morrido quando os nossos irmãos caíram mortos perante o SENHOR! 4 Por que vocês trouxeram a assembleia do SENHOR a este deserto, para que nós e os nossos rebanhos morrêssemos aqui? 5 Por que vocês nos tiraram do Egito e nos trouxeram para este lugar terrível? Aqui não há cereal, nem figos, nem uvas, nem romãs, nem água para beber!”

6 Moisés e Arão saíram de diante da assembleia para a entrada da Tenda do Encontro e se prostraram, rosto em terra, e a glória do SENHOR lhes apareceu.7 E o SENHOR disse a Moisés: 8 “Pegue a vara, e com o seu irmão Arão reúna a comunidade e diante desta fale àquela rocha, e ela verterá água. Vocês tirarão água da rocha para a comunidade e os rebanhos beberem”.

9 Então Moisés pegou a vara que estava diante do SENHOR, como este lhe havia ordenado. 10 Moisés e Arão reuniram a assembleia em frente da rocha, e Moisés disse: “Escutem, rebeldes, será que teremos que tirar água desta rocha para lhes dar?” 11 Então Moisés ergueu o braço e bateu na rocha duas vezes com a vara. Jorrou água, e a comunidade e os rebanhos beberam.

12 O SENHOR, porém, disse a Moisés e a Arão: “Como vocês não confiaram em mim para honrar minha santidade à vista dos israelitas, vocês não conduzirão esta comunidade para a terra que lhes dou”.

“Deus pediu no versículo 8: "Toma a vara e ajunta a congregação, tu e Arão, teu irmão, e FALA à rocha perante os seus olhos, e dará a sua água; assim, lhes tirarás água da rocha e darás a beber à congregação e aos seus animais." 

 

Mas Moisés fez, conforme descrito no versículo 11: "Então, Moisés levantou a sua mão e FERIU a rocha DUAS VEZES com a sua vara..." 

 

O ERRO DE MOISÉS: UMA SÉRIA ADVERTÊNCIA PARA OS LÍDERES

 

“ Após a passagem pelo Mar Vermelho, o povo de Israel deu início a sua jornada no deserto, mas antes de chegarem ao monte Sinai, o povo murmurou pela falta de água. Deus conduziu os israelitas a Eloim, “onde havia doze fontes e setenta palmeiras” (Nm 33: 9).

 

Em outra ocasião, ainda por causa de água, o povo contendeu com Moisés em Refidim. Deus disse a Moisés para usar o bordão: “Ferirás a rocha, e dela sairá água, e o povo beberá” (Êx 17: 6). A rocha fendida representa Cristo sendo ferido por nós, pois Dele saiu a água da vida para nos suprir (1 Co 10: 4).         

 

Em Meribá, novamente o povo reclamou por causa de água, e Moisés e Arão buscaram o SENHOR. Deus disse então a Moisés que tomasse o bordão e, junto com Arão, falassem à rocha (Nm 20: 8). Eles deveriam apenas falar à rocha, prefigurando que o Senhor Jesus só podia ser ferido uma vez. Os dois, porém, não estavam suportando as reclamações do povo, por isso Moisés se irou e feriu a rocha novamente. A água fluiu, mas ele errou. Bastava falar, mas ele não obedeceu ao que o SENHOR dissera. Por fim, por causa disso, Moisés e Arão não entraram na terra de Canaã.

 

Podemos aceitar o fato de Arão não entrar na boa terra, por causa de sua rebelião contra seu irmão. Mas Moisés não entrar é difícil de entender. Moisés até pediu perdão e negociou com Deus: “Também eu, nesse tempo, implorei graça ao SENHOR, dizendo: Ó Senhor Deus! Passaste a mostrar ao teu servo a tua grandeza e a tua poderosa mão; porque que deus há, nos céus ou na terra, que possa fazer segundo as tuas obras, segundo os teus poderosos feitos? Rogo-te que me deixes passar, para que eu veja esta boa terra que está dalém do Jordão, esta boa região montanhosa e o Líbano” (Dt 3: 23- 25).

 

Moisés sabia que havia errado, mas mesmo assim rogou ao SENHOR para que o deixasse passar e ver a terra. Deus, porém, disse: “Basta! Não me fales mais nisto” (v. 26).  

 

Por ter ferido a rocha uma segunda vez e ter-se irado contra o povo, contrariando a determinação de Deus, Moisés não pôde entrar na terra de Canaã; apenas contemplou-a do alto do monte Pisga (vs. 26- 28). O SENHOR não permitiu que Moisés, apesar de Lhe ser tão íntimo e tão útil em Seu propósito, entrasse na terra prometida.”

 

Javé foi implacável com Moisés pelo fato de ele ter-se irado contra o povo; O Grande Iniciado NÃO TINHA MAIS O DIREITO DE ENTREGAR-SE A UMA EMOÇÃO NEGATIVA! MOISÉS IROU-SE E FERIU A ROCHA DUAS VEZES

 

 

 

 

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