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Curso de Magia Branca - 18: Tantra Yoga - uma Síntese

 

"Tantra - escrituras (shastras) dos ensinos contidos nos diálogos entre o Senhor Shiva e sua divina consorte, Parvati, destinados a ensinar o sadhana (método de realização espiritual) apropriado aos homens da kali yuga (era das trevas)."

Fonte: Iniciação ao Yoga, José Hermógenes, Ed. Nova Era

 

A palavra tantra deriva da raiz tan (espalhar, divulgar) e mais o sufixo tra (salvar) significa, portanto, "divulgar para salvar".

 

Vivemos numa sociedade que nos últimos tempos tem evoluído rapidamente no sentido material, porém no plano social não se pode dizer o mesmo, quanto mais sobre o ponto de vista espiritual. Isso se dá pelo dogma ao qual a sociedade ocidental foi imposta durante todo este tempo, onde se separa antagonicamente a matéria (defendida pela ciência racionalista) e a espiritualidade (defendida pelas religiões), dividindo assim o homem.

 

As antigas sociedades não tinham essa visão, ou melhor, nem se preocupavam com isso, pois consideravam o homem um ser único formado por corpo, mente e espírito e como tal se desenvolvia de forma integral e uniforme, eliminando toda forma de dualidade que limitam e impedem o desenvolvimento do homem.

 

Encontramos na yoga e em particular no Tantra Yoga o mais antigo e completo sistema de integração do homem, sendo considerada por muitos estudiosos a origem da tradição que veio resultar nos sistemas hoje conhecidos como: Tarot, Cabala, Tao, Alquimia, além das próprias ramificações da Yoga. Parece pretensão, mas pelo estudo do significado do nome, damos o primeiro passo para essa afirmação.

 

Derivado do verbo tantori (tecer), Tantra Yoga é um termo sânscrito que significa a essência ou urdidura daquilo que é tecido. Segundo outra versão, deriva da raiz Tan, que quer dizer estender. Como os tantras também são conhecidos sob a designação de agama, ou seja, tradição, teríamos como significado final "estender a tradição".

 

Na realidade, o tantrismo é a culminação de muitos séculos de experimentação yogui, envolvendo corpo, mente e espírito, e pode ser visto como capítulo final de um longo processo de assimilação e síntese das demais ramificações do yoga. Não é apenas um ramo do yoga ou uma filosofia isolada, mas a rigor, uma fase na evolução dessa civilização.

 

No sentido escrito tradicional, o tantra está codificado dentro dos textos hinduístas e budistas, que geralmente empregam uma linguagem bastante elaborada, difícil de ser compreendida, sendo, vez ou outra, obscuros a respeito de pontos importantes. Por esse motivo, antes de tentar a iniciação, recomenda-se ao principiante um longo estudo sobre este caminho.

 

O primeiro passo é realizar uma revisão de nossos conceitos, principalmente no que diz respeito ao valor da mulher e sobre a sexualidade. Predominantemente machista e possessivo, nossa cultura obscurece e limita o desenvolvimento humano. Este mal de nossa sociedade deve ser derrubado, pois são conceitos antagônicos aos do Tantra.

 

O que acharíamos se nos falassem que na verdade Deus é feminino? Essa pergunta coloca em xeque-mate a imagem que temos da mulher. Não precisamos aprofundar muito neste mérito para ver que em outras culturas o ser gerador e criador do universo é representado por uma Deusa (Deusa Gaia na mitologia grega). Não diferente disto, o tantra postula que forças secretas, representadas por uma Deusa, governam o universo se corporificando na mulher.

 

Para o tantrismo, a chave está na mulher. Entender o que atua verdadeiramente no útero é compreender o mistério do Universo, pois em toda mulher se manifesta o princípio gerador da criação tomando-a uma deusa. Tal postura provavelmente surpreenderia muita gente, já que os arquétipos religiosos mais comuns pintam a mulher como aliada do "Diabo" ou algo semelhante.

 

Este medo em relação a mulher é até compreensivo, pois a Deusa é representada sobre duas formas: a luminosa na imagem da Deusa Shakti, amante mística de Shiva e a tenebrosa quando simbolizada na terrível Deusa Kali, a devoradora de Homens. Porém, devemos entendê-lo como um aviso sobre a seriedade do tantra e não desculpa para permitir a discriminação da mulher, como vemos em nossos dias.

 

Nas sociedades matriarcais, que deram origem ao tantrismo hindu, não existem grandes diferenças entre o homem e a mulher ou corpo e espírito. O tantra vê no corpo humano um templo vivente sem distinção entre carne e espírito. Tudo interage naturalmente em perfeita harmonia inclusive a sexualidade.

 

Nascemos, crescemos e nossos pais desempenham um papel fundamental em nosso desenvolvimento. Naturalmente somos encaminhados às instituições de ensino para aprendermos mais do que nossos pais possam nos ensinar e o mesmo ocorre a respeito da religiosidade. Temos uma orientação para cada anseio de nossa alma, isso é verdadeiro? A sexualidade, onde se encaixa? Na prática vemos uma lacuna no processo natural do desenvolvimento humano, criando neuroses que acompanharão o indivíduo até sua morte.

 

Para que se possa entender a ideia tântrica é imprescindível que encaremos o tema do sexo sacralizado sem preconceitos. O escândalo causado por uma prática religiosa pornográfica por alguns ocidentais é incompreensível para o praticante do Tranta-Yoga. Para ele, Deus é tudo, sendo que o caminho mais direto para à experiência da Totalidade é a união amorosa, a união mística entre Shiva e Shakti. O praticante, bem como quem conseguiu se libertar das correntes do "pecado original", acredita que o sexo é absolutamente inocente.

Inocente, mas revolucionário. Todos os ditadores, políticos e religiosos sabem disso e preferem que o povo interiorize normas de rígido purismo, sendo incapaz de pensar e atuar por conta própria. Ao invés de enriquecer a mente das pessoas com as experiências libertadoras do sexo, os dirigentes empobrecem nossa experiência sexual através de preconceitos castradores.

 

O objetivo do tantra e de outros sistemas e realizar a fusão do Masculino com o Feminino, Shiva e Shakti (Tantrismo), Yin e Yang (Taoísmo), Adão e Eva Cabala, Homem e Mulher, no coito sagrado, tendo como finalidade última a aparição do andrógino, as diferenças entre o homem e a mulher desaparecem numa espécie de transfiguração interior na qual o "eu" dá lugar ao Uno indivisível, ao Tao, ao lod-Shava.

 

Percebemos em cada sistema que o segredo, a chave dos mistérios da vida eterna, dos céus e do próprio Deus, gira em torno deste assunto. A alquimia nos dá uma lição clara sobre este ponto quando diz em seu dogma central: "O Sol é o Pai, a Lua é a Mãe, o vento gera tudo em seu útero, sobe da terra os céus e desce dos céus a terra para o milagre da unidade". O próprio Jesus Cristo disse: "O reino dos céus é como um casal de noivos que se deitam e se amam."

 

A energia sexual, o corpo e a mente formam uma trilogia inseparável para o tantrismo. O Tantra considera que cada célula é um ser vivente consciente, dotado de psiquismo, emoções e memória. Qualquer uma de nossas células pode ser calma ou ansiosa, estar em harmonia ou não com o resto do organismo.

 

Se o cérebro não tem exclusividade sobre a consciência, que é propriedade de todo corpo, não existe uma barreira real entre nossa consciência cerebral e nossas células. O que existe é uma sequência hierarquizada de planos de lucidez ativados a partir do momento em que a energia sexual começa a despertá-los. O praticante do Tantra simboliza essa energia sob a forma de uma serpente, Kundalini, e os distintos planos de lucidez são simbolizados pelos chakras.

 

Por fim deixo um alerta, conforme Jesus disse: "O reino dos céus são das crianças". Até que ponto somos crianças, até que ponto temos inocência em nossos corações, pois a porta é baixa, estreita e dois anjos guardam a passagem com espadas de fogo. O descuido, pode facilmente tomar a estrela de cinco pontas no bode de Mendes e então a luminosa Shakti se transformará na tenebrosa Deusa Kali a devoradora de homens.

 

 

Texto extra: Tantra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

Origem da expressão

 

A palavra "tantra" é composta por duas raízes acústicas: "tan" e "tra". "Tan" significa expansão e "Tra" libertação.

Tal denominação tem as suas raízes em fatores históricos muito sutis, pois esta filosofia comportamental, durante a época medieval, foi severamente reprimida na India Hinduista, fortemente espiritualizada. Esta era a forma como os seguidores desta filosofia a viam. Libertadora, mas mantida em segredo (na escuridão).

Dispondo de imensos significados e interpretações, mais ou menos corretos, tais como teia, trama ou entretecido. Tantra pode ser interpretado, mais corretamente, como algo que é regulado por regras gerais.

 

Tantra é uma filosofia hindu muito antiga cuja natureza comportamental mais lhe faz delinear, tendo por características: matriarcal, sensorial, naturalista e desrepressora [carece de fontes?], também é o Tantra um complexo sistema de descrição da realidade objetiva tornando-o assim uma ciência prática e aplicável, sendo a base do pensamento de um povo muito muito antigo que até hoje faz ecoar sua influência sobre a sociedade contemporânea.

 

Nas sociedades primitivas não-guerreiras, na qual a cultura não era centrada na guerra, a mulher era fortemente exaltada e até mesmo endeusada, na medida em que dava vida a outros seres humanos. Dai, a qualidade matriarcal. A partir dessa qualidade desdobra-se a qualidade sensorial ("a mãe dá à luz pelo seu ventre e alimenta o filho pelo seu seio") e a desrepressora, tendo que a mãe é sempre mais carinhosa e liberal que o pai, pelo facto de o filho ter nascido do seu corpo e a própria natureza, normalmente, ter o macho de mais agressivo.

 

Baseado quase inteiramente no culto de Shiva e Shakti, o tantra visualiza o Brahman definitivo como Param Shiva, manifesto através da união de Shiva (a força ativa, masculina, de Shiva) e Shakti (a força passiva, feminina, de sua esposa, conhecida também como Kali, Durga, Parvati e outras).

 

Está centrado no desenvolvimento e despertar da kundaliní, a "serpente" de energia ígnea, de natureza biológica e manifestação sexual, situada na base da espinha que ascende através dos chakras até se obter a união entre Shiva e Shakti, também conhecida como samadhi.

 

No Tantra, ao contrário da maioria das filosofias espiritualistas, se vê o corpo não como um obstáculo mas como um meio para o conhecimento, para o Tantra, todo o complexo humano é vivo e possui consciência independente da consciência central e por isso mesmo é merecedor de atenção, respeito e reconhecimento, para tanto, usa mantras (vocalização de sons e ultra sons em sânscrito), yantras (figuras geométricas, desde simples a complexas, como mandalas, por exemplo, que representam as diversas formas de Shakti) e rituais que incluem formas de meditação.

 

Os dois ramos

 

Segundo alguns autores o tantra é composto por dois ramos denominados a "mão esquerda" e a "mão direita". Embora o objectivo geral dos dois seja o mesmo, os processos utilizados diferem. A "mão esquerda" está ligada muitas vezes à procura de poderes ocultos e à extroversão de energia psíquica sob forma de capacidades supra-normais. A "mão direita" está ligada à canalização de toda a energia para a elevação espiritual do ser humano. Este é também conhecido como Vidya Tantra ou tantra do conhecimento e a mão esquerda como Avidya Tantra. O tantra corretamente praticado acelera rapidamente o progresso espiritual do ser humano. Apesar disso o tantra é muitas vezes encarado com desconfiança devido a certos aspectos do avidya tantra. É bem conhecido o fato de que o Budismo Tântrico sempre enfatiza a necessidade de supervisão por um orientador de confiança.

 

Influência no ocidente

 

Alega-se que o tantra teve forte influência no ocidente nas ciências ocultas. Diversos ramos do ocultismo contemporâneo, particularmente os que se dizem gnósticos ensinam alguma versão de "sexo sagrado"..

Muito da linguagem sexual encontrada na alquimia supostamente tem sua origem em tradições orientais relacionadas com o Tantra.

Particularmente a linha thelemita, fundada pelo polêmico mago e ocultista do início do século XX, Aleister Crowley, alega ter levado essa influência ao seu maior extremo e se apresenta como um tantra ocidentalizado.

Outra linha tântrica, que pode ser chamada de Tradição da Mão Direita [carece de fontes?], foi muito difundida, Arnold Krumm-Heller e Samael Aun Weor. Para eles, o Tantra teria como "braço mágico" certas práticas que canalizariam a energia sexual para o Despertar da Consciência Espiritual.

 

 

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