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Curso de Magia Branca - 13: Gênesis revisitado II

GÊNESE  REVISITADO – II

 

Para entender nosso trabalho é indispensável que se leia as explicações abaixo, tiradas de PATAI e GRAVES:

 

“Durante muitos séculos os escritores e teólogos judeus e cristãos se puseram de acordo  sobre o fato de que o relato bíblico de Gênese NÃO devia nada a nenhuma cultura ou civilização.  Esta opinião foi abandonada desde 1876.  Encontrou-se e publicou-se várias versões da epopéia acádia Enuma Elish, além de se ter divulgado o resumo dos Mitos da Criação de Beroso, sacerdote mesopotâmico de Baal.  Outra epopéia criacionista foi descoberta no século VI escrita em babilônio e em sumério, muito parecida com o Gn. Javista.

 

A principal diferença entre os dois relatos da criação bíblica é que no primeiro ( eloísta ) a divindade é chamada de Elohim, enquanto no segundo (javista), é denominada Javé, mas um revisor sacerdotal transformou o nome em Javeh Elohim, para dar aos dois relatos a aparência de uniformidade. Porém este sacerdote, que fez várias alterações em ambos os textos deixou passar certos detalhes, como se verá.

 

1- Na ordem, Gênese I e II discordam completamente.

O um começa com a Criação do Céu; depois, vem a Terra.

O dois começa com a Criação da Terra e depois vem o Céu.

A seguir Gn. Um  traz a criação da Luz, que NÃO existe no Gn. Dois.

O Homem é o quarto na ordem da criação do Gn. Dois; no Um é o último da série.

Homem e mulher são criados simultaneamente em Gn. Um. A mulher é a última criatura de Gn. Dois.

Em Gn. Dois a mulher é criada para servir de empregada ao homem; no Um, ambos possuem a mesma dignidade. 

 

2- A ordem da criação do Elohista segue a ordem dos deuses da semana babilônica: Como Nergal (deus das plantas e dos pastos) ocupava o terceiro lugar na semana, e Nabô, deus dos astros, ocupava o quarto lugar, A CRIAÇÃO DAS PLANTAS, INCONVENIENTEMENTE, VEM ANTES DA CRIAÇÃO DO SOL E DA LUA. Em consequência, Gn. I ocupa 7 dias. Gn. II é feito em um só dia.

 

3- Gn. II apresenta uma geografia pantanosa, como na Mesopotâmia, enquanto Gn. I apresenta a paisagem típica de Canaã. Por isso Gn. I começa na primavera, no primeiro dia do mês de Nisan;     e Gn. II no outono, no primeiro dia do mês de Tisri.

 

4- O revisor monoteísta não permitiu a participação de nenhum outro deus, por isso transformou em abstratos os nomes dos deuses TOHU-WABOHU ( o caos ), HKSHEK ( noite ou obscuridade ), TEHOM ou APSU (abismo das águas).  Assim os deuses pagãos foram eliminados do relato da criação por este artifício. 

 

5- ELOHIM é a variante hebraica de um Deus que tinha muitos nome e era adorado em todo o Oriente Próximo: EL.  

 

6- JAHVEH é tido pelos estudiosos como a abreviação do nome completo IAHVEH ASHER YIHVEH, se significa “ Ele faz o que é ser como é”.  Os revisores tentaram a todo custo  apagar os rastos de paganismo no nome de JAHVEH. Porém, se o mesmo rito era realizado em nome de JAHVEH e não de Baal, Astarte, Anat ou Tamuz, era considerado um ato piedoso.

 

(GRAVES, Robert e PATAI, Raphael – Los mitos hebreos. Alianza Editorial. Madrid, 1988.)

 

 

 

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