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Curso de Magia Branca - 12: Gênesis revisitado I

SÉFER B’RESHIT

 

                                        

    No princípio criou Ulhim os céus e a terra.

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ ׃ 1

 

No princípio ( Em Reshit, a Mente Única) criou Deus o céu e a terra ( tirou de Si  Elohim as Águas Superiores e o Elemento Seco).

 

 

    E a terra estava um caos absoluto; havia treva sobre a face do abismo, e o RUKHA Ulhim movia-se [pairava] por sobre as águas.

וְהָאָרֶץ הָיְתָה תֹהוּ וָבֹהוּ וְחֹשֶׁךְ עַל־פְּנֵי תְהוֹם וְרוּחַ אֱלֹהִים מְרַחֶפֶת עַל־פְּנֵי הַמָּיִם ׃ 2

 

Mas a terra era vazia e caótica ( Ora, no Elemento Seco estavam Tehom e Behom).

 

Trevas cobriam o abismo ( Hkshek estava diante da face de Tehom ou Apsu).

 

E o Espírito de Deus adejava sobre a face das águas ( O Sopro de Elohim se sobrepunha à face do Todo Energético).

                                  

    E disse Ulhim: Haja luz. E houve luz.

וַיֹּאמֶר אֱלֹהִים יְהִי אוֹר וַיְהִי־אוֹר ׃ 3

 

Disse Deus : Haja luz e houve luz ( Então Elohim pensou : Seja a Energia Luminosa. E assim foi).

                                                               

    E viu Ulhim que a luz era boa, e separou [diferenciou, distingüiu] Ulhim a luz, das trevas.

ם אֶת־הָאוֹר כִּי־טוֹב וַיַּבְדֵּל אֱלֹהִים בֵּין הָאוֹר וּבֵין הַחֹשֶׁךְ ׃ 4

 

Deus viu que a luz era boa, e Deus separou a luz das trevas ( Elohim considerou a Energia Luminosa como “boa” e por isto criou uma separação entre a Energia Luminosa e Hkshek).

                                                                   

    E chamou Ulhim à luz, Dia, e às trevas, chamou Noite. Houve tarde e houve manhã, o dia um.

וַיִּקְרָא אֱלֹהִים לָאוֹר יוֹם וְלַחֹשֶׁךְ קָרָא לָיְלָה וַיְהִי־עֶרֶב וַיְהִי־בֹקֶר יוֹם אֶחָד ׃ פ 5

 

Deus nomeou à luz “dia” e às trevas, “noite ( Elohim nomeou a Energia Luminosa  de “dia” e chamou Hkshek de “noite).

 

Então houve tarde e manhã: primeiro dia ( e anoiteceu e amanheceu : primeiro dia).

 

===

 

Lendo somente o que está dentro dos parênteses:

“Em Reshit, a Mente Ùnica, tirou de Si Elohim as Águas Superiores e o Elemento Seco”.

 

Portanto, a Criação de EL se faz DENTRO de Reshit, o útero divino ou o Ovo Cósmico.  Ali, EL cria tirando de Si mesmo, uma Díade complementar, equivalentes nos mitos babilônico ao casal divino AnShar e KiShar (A  semelhança e tal que esses deuses “Shar” significam o Céu (An) e a Terra (Ki). No mito grego, equivalem a Urano (o Céu) e Gaia ou Géa ( a Terra ). No mito egípcio, são Geb e Nut, e assim vai.

 

Esse elohim hermafrodita será chamado de JAHWEH, onde HAWAH é o feminino (Eva) e o J (iod) é o masculino : IOD-CHAVAH.

 

“Ora, no Elemento Seco estavam Tehom e Behom”.

 

Vejam que do Elemento Superior, SHAR, nada mais se diz, porque é perfeito. O conflito irá se estabelecer no Elemento Inferior, onde moram os Titãs Tehom e Behom,  concebidos na teologia e teogonia ugarítica e Cananéia como dois dragões.

 

“Hkshek estava diante da face de Tehom (ou Apsu)”.

 

Hkshek (aquela que cria a obscuridade e o engano) era escrava de Tehom. Provavelmente, será a Serpente do Gn. 3, que seduz e engana Adão e Eva.

 

“O Sôpro de El se sobrepunha à face do Todo Energético”

 

Uma potência de EL, RUAH, controlava soberanamente o Todo Energético, isto é, todos os Elohim e Titãs. Essa potência divina será chamada, na teologia cristã,o Espírito Santo.

 

“Então Elohim pensou : Seja a Energia Luminosa; e assim foi”

 

Esse é o momento em que JAVEH e seu séquito de ELOHIM criadores do Cosmo vencem os Titãs. Segundo a ciência, o esforço feito para a criação da matéria, e consequentemente, da Luz, foi de 200 tentativas para um sucesso... Imaginem o tempo que isto levou.  Esta batalha dos Elohim contra os Titãs com a finalidade de criar a matéria e a luz está descrita como o combate de um deus contra um dragão ou dragões. No que denominamos de Gn. III, é o combate de JAVEH contra TEHOM.  No poema babilônico, MARDUK luta contra TIAMAT.

 

“EL considerou a Energia Luminosa como boa, e por isto criou uma separação entre a Energia Luminosa e Hkshek (as Trevas)”.

 

Este é o momento em que os Titãs, representados pelo mais astuto deles, Hkshek, são aprisionados  em DAAT, de onde não poderão interferir na Criação.  Daat, como já dissemos anteriormente, fica sendo o lugar proibido, “a árvore do conhecimento do Bem e do Mal”, devido ao perigo de Hkshek enganar, iludir e mentir para o Homem.

 

“EL denominou a Energia Luminosa de “dia”, e chamou Hkshek de “noite”.

 

Este versículo reforça o antagonismo entre os Elohim e os Titãs : onde há dia(yom) não pode haver noite(Lailah). A mística judaica e a cristã explorarão essa antinomia de luz e trevas já que foi Kshek (em forma de serpente ou dragão) a culpada pela queda da “mulher” no paraíso.  A luta entre os descendentes de Kshek e os descendentes da “mulher” continuará até o fim dos tempos.

 

“E anoiteceu e amanheceu : primeiro dia (cósmico)”.

 

Este versículo apenas estabelece que terminou a obra do Deus da Luz, EL, o primeiro no panteão babilônico. Começará, então, a obra de cada deus secundário. Abaixo nós dissemos que o hagiógrafo divide a criação em sete dias para poder dar a cada deus da semana babilônica um dia de operação na criação. Aqui há uma relação com a semana, com os sete planetas e com a Menorah ou candelabro de sete braços.

 

Na leitura do texto, levaremos em conta que “Elohim” são os Filhos ou Potências de EL.

 

Tehom, Behom, Hkshek, Apsu são divindades que Elohim criara para ajudá-lo na Sua Criação, são pois “Elohim”, mas que se rebelaram depois. A separação que Elohim faz da Energia Luminosa e dos Titãs, principalmente Hkshek, é um limite que os Titãs não poderão ultrapassar. É com a Energia Luminosa que Elohim criará o Cosmo, onde os Titãs não poderão estar, pois a Energia deles é incompatível com a Ordem do Universo Criado.

 

“Reshit” é o nome que a Escritura dá à Mente Divina. Logo,  “no”, nesse contexto, indica “dentro de” e não “em certo tempo”.

 

 

Comparem os elementos pagãos dessa terceira versão de Genesis com a que damos acima:

 

Deus (Javé) criou o firmamento completo, com o sol, a lua e as estrelas, com uma

palavra de ordem. Revestido com uma gloriosa vestimenta de luz, deu ao firmamento a

forma de uma tenda redonda, confeccionada para cobrir o abismo. Depois de encerrar as

águas superiores em uma prega de sua vestimenta, instalou seu pavilhão secreto sobre o

firmamento, cercando-o com uma densa obscuridade, enfeitou-a com as sombras e

sentou suas vigas sobre as águas superiores. Ali erigiu seu trono divino. (Salmos 33,6;

104,2-6; 18,10-12; 93,1-2. Isaías 40,22; 44,24; 50,30. I Reis 8,12.)

Enquanto realizava a obra da Criação, Deus (Javé) cavalgava através do abismo,

montado em nuvens ou em querubins ou ainda nas asas da tempestade. Colhia os ventos

que passavam, deles fazendo seus mensageiros. Firmou a Terra sobre bases seguras,

pesando cuidadosamente as montanhas, fundindo algumas como pilares sobre as águas

do abismo, arqueando a Terra sobre elas e fechando o arco com uma chave formada

pelas demais montanhas. (Salmos18,10; 104,3-5; 65,7. Naum 1,14; provérbios 30,4.

Isaías 40,12.)

As águas rugidoras do abismo se elevaram, e Tehom, Rainha do Mar, ameaçou

inundar com elas o trabalho de Deus (Javé). Mas ele correu com seu carro de fogo e

lançou sobre ela sucessivas tempestades de granizo, raios e trovões. Matou seu aliado,

Leviatã, com um certeiro golpe no crânio e ao monstruoso Raab, atravessando seu

coração com uma espada. Atemorizadas com sua voz, as águas de Tehom se acalmaram.

Os rios retrocederam pelas colinas e desceram pelos vales distantes. Tehom,

atemorizada, reconheceu sua derrota. Deus (Javé) bradou seu grito de vitória e secou a

inundação, até que apareceu a terra seca. Mediu no côncavo da mão a água restante,

derramou-a no leito do mar e pôs dunas de areia como seu limite perpétuo. Pronunciou

um decreto que Tehom não poderia infringir por mais que rugissem suas ondas

salgadas, pois estava como que fechada por uma porta na qual ele havia passado um

ferrolho. (Salmos 93,3; 89,11; 104,6-8; 74,13-14; 18,15-16; 33,7. Job 9,13; 26,12-13;

38,8-11. Jeremias 31,35; 5,22. Isaías 51,9; 40,12.)

Logo Deus (Javé) mediu a terra seca, fixando seus limites. Permitiu que as águas

doces de Tehom surgissem como mananciais nos vales e que a chuva caísse suavemente

sobre os cumes das montanhas nas nascentes das alturas. Assim fez com que brotassem

a erva e a vegetação para o gado; fez também os grãos e a uva para alimentar o homem,

e fez os cedros do Líbano, para que dessem sombra. Ordenou à lua que marcasse as

estações do ano; e ao sol que dividisse o dia da noite e o verão do inverno; e às estrelas

que diminuíssem a obscuridade da noite. Encheu a Terra com animais, aves e répteis; o

mar, com peixes e monstros marinhos; permitiu que as feras vagassem de um lado para

outro depois de escurecer, mas enquanto o sol ficasse no céu deveriam estar nas suas

tocas. ( Salmo 74,7; 104,10-26. Job 38,5. Jeremias 31,35.)

Os luzeiros da manhã que observavam a obra da Criação, prorromperam em um canto

festivo e todos os filhos de Deus (Javé) gritaram de alegria. ( Job 38,7 )

Havendo terminado assim a obra da Criação, Deus (Javé) se retirou para um santuário

no monte Farán, na terra de Teman. Sempre que ele sai de sua morada, a terra treme e

os montes fumegam. (Habacuc 3,3. Salmo 104,32).

 

Obs- Leviatã é também chamado de BEHOM.

 In Patai, Rafael e Graves, Robert –LOS MITOS HEBREOS. Alianza Ed., Madrid, 1988.

 

18 jan 2012 – Marlanfe.

 

 

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